sábado, 31 de dezembro de 2011

tudo está em branco





última noite do ano. Limpa, calma.
silêncio...


Olho um rectângulo de céu feito por cubos de cimento. Estou bem aqui. Este é o momento certo, no tempo exacto onde devia estar. Neste aqui não me desejo em lado algum que não este. tudo está no sítio certo. Até eu! parece mentira...
o cheiro das tintas...as mão frias. a matéria está em mudança.



Escrevo embalada sem pensar muito. hoje não é dia de pensar. hoje é dia de deixar-me só sentir.



Estar.



Falo assim, caladinha, com todos os que por mim passaram. Abraço todos os que me fizeram história. Vejo-me criança a penetrar um mundo cheio de tudo: um ribeiro gelado de águas limpas, cobertas de libelinhas, onde me banho com meu primo e um cão: o Farrusco. Vejo o feno reunido com tanto esforço por meus avós ao qual deitámos fogo. Vejos os gatinhos e coelhos que queria ensinar a nadar. Os pintainhos, os pombos e as mil andorinhas que teimavam em cair na varanda e que tentava, infrutuitamente, salvar. Criança, não via não poder ensinar o mundo, nem salvar. Um dia pensei: quem sabe me poderei ensinar a mim...e..talvez salvar! quem sabe o mundo me ajude...



assim começou tudo. as perguntas. as escolhas. a insatisfação. curiosa...sempre muito curiosa. quis ter olhos, verdadeiros. quis sentir os cheiros. ver o poder das palavras. sentir-me pertença.



Perdi-me tantas vezes. Perdi-me, porque me procurava.


Não importa o que grito se não me ouço. de nada vale querer ser para ser vista. a importancia que me dou não dura. tudo é relativo ao meu observatório. tenho assim que me misturar com a matéria que muda, dissolver-me nos caminhos em que me perco. encontrar-me nos trilhos mais fabulescos. encher-me de surpresa. e nunca, mas nunca, deixar de viver pelo medo do que possa acontecer. importante mesmo é o movimento. sem ritmos impostos, sem compasso de espera.



Fui agora ao quintal cortar um folha da Verduska. (Tudo está tão calmo! o que fora ebulição é agora silêncio.) Vou e fossilizá-la. vou tentar lembrar-me de lhe dizer bom dia, bom noite, bom ano, boa vida. e vou deixar de tentar, porque essa planta morreu para renascer, é uma resistente e por isso merece todo o meu respeito, admiração e carinho. Não é preciso muito para me colocar no lugar dela. Bastou um pouco de terra e um pouco de Sol para que se agarrasse à vida que um dia quase a perdeu.



Pinto-a de branco: pureza, possibilidade. e por um instante deixo de questionar. está tudo branco



Regresso ao quintal (Tudo está tão ruidoso agora! o que fora silêncio é agora ebulição.) e...derrepente...assim num segundo mudou o ano. Como tudo muda num instante! fiquei ali deitada a ouvir todo aquele movimento de mudança. vi pássaros assustados num céu de mil cores. as pessoas gritavam e batiam nas panelas. e..sorri. lembrei-me de todos os que amo e pensei no que desejariam? quais seriam os seus sonhos? e desejei-lhes os seus desejos. e para mim desejei....desejei não desejar nada...nada que não esteja, nada que não seja.



desejei desejar-me sempre no momento.






sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

SOVAS EMOCIONAIS

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

vestido sem corpo


"Chiharu Shiota"

Por norma não sou sensível ao que se passa do outro lado do Mundo. está muito longe! Já muito tenho para sentir ou não sentir no que me está mais próximo fisicamente. Mas a arte tem destas coisas. do Japão vem esta imagem que não sendo minha sou eu também.
Um vestido sem corpo. ali. suspenso. frente à janela que anuncia a vida que por ali passa. e os fios, esses, não mais são que as memórias. são as sinapses que aconteceram pelo caminho. umas entrelaçadas. outras quebradas pelo que foi e já não é. pelas verdades que já não são. São o breve acreditar para logo deixar de ver. São os fios que denunciam o frágil que são todos os caminhos. e o curtas que podem ser as verdades.
Um vestido que aguarda um corpo. o seu. e como eu espero o meu!não este que passeio pelas ruas. esse é o que sempre tive, com todas as suas mudanças, cicatrizes, marcas, e alguns vincos também. mas é e sempre será o mesmo corpo que vai envelhecendo. o corpo que aguardo não é o que se vê. é aquele que sei ter, mas ainda o sinto enterrado também ele à espera de ver a luz. e receber por fim: paz.
sou ainda um vestido por vestir. porque de todas as vezes que me senti tão vestida por verdades em que quis acreditar, era quando mais nua estava.
Tenho ainda tanta pele por sarar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

o mais íntimo dos encontros





Se soubesse onde estou em todos os momentos. se me soubesse pertencer a cada momento onde aconteço, saberia tudo o que quero dizer e sentiria o silêncio que me urge.
Os meus pensamentos tropeçam tanto que quase não os agarro. São como ingredientes de um bolo caseiro daqueles que não conseguimos definir a que sabe. onde o olfacto não chega nem a visão alcança.



Como se faz chegar o coração ao que os sentidos desconhecem?



Preciso de me render. deixar-me só sentir. sentar-me no cume de uma montanha e respirar. longe. muito longe...onde toca o infinito. tão longe quanto a distância que me separa de mim. Ficar ali até me perdoar. só descer quando já não houver distância, nem tempo, nem ar que me separe do que me procuro. regressar só quando me quiser sempre onde estou, quando vir que tudo o que tenho é tudo o que preciso. e que tudo o que tenho, sou eu...que é afinal tudo do que preciso. E assim sentir-me digna de quem me recebe e aceita.de quem se me dá. sentir-me digna de mim.




Sinto um cansaço delicioso de busca. é o cansaço do quase encontro. mas estou exausta de precisar. Esta é uma dor nova. uma dor de vida. de cura. recebo-me num abraço que já sei dar. vejo-me no interior das minhas cicratrizes privadas que me envolvem com carinho porque me sabem a sarar. Preciso do mais íntimo dos encontros...e...por enquanto preciso de precisar.




domingo, 4 de dezembro de 2011

Dizes-me que é branco. Eu digo-te que é preto.

Luta-se pela razão numa cegueira peganhenta. Como me pedes que veja o mesmo que tu? Como queres que diga sim, quando quero dizer não. como ver branco onde é preto. Mas tu lutas e eu luto. Raivas mudas comandam os sentidos. e num segundo a guerra das almas rebenta numa teimosia pestilenta. Como posso querer que vejas o preto se tu vês o branco? Mas luta-se e fecham-se os olhos enrraivecidos. fecha-se a alma.

Se do coração se arrancasse tanta razão caberiam todas as verdades com o respeito necessário. Na minha pergunta verdadeira cabe a tua resposta, pois entre o preto e o branco vivem infinitos cizentos.

Só o que se sente existe. Não sentido a razão, não preciso que me ocupe os meus espaços. nos meus cantos vive a folia dos sentidos. E hoje nada me faz desviar o olhar. Não preciso de mentiras.

Sendo livre...de que serve a razão?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Gostaría de ser muito velhinha para ter no olhar o descanso de quem não espera nada. Abraçar as minhas pequenas mortes, vê-las não como fins, uns atrás dos outros, mas sim como principios. Muitos. tantos quanto me permitir acreditar nas mudanças. São afinal os momentos de descanso desta alma inquieta. são estas as pequenas mortes que me permitem sair desta pele que não conheço.
Vou renascendo em novas peles, que com a convivência se vão tornando velhas, enrrugadas, feias. vão caindo, revelando-me crua. nua. É facil dar-me corpo numa pele bonita, jovem. É mais fácil amar o belo. o Bom. É fácil fazer-me ver assim. Essa minha pele é de fácil agrado. Tento que permaneça iludindo-me que sou como me vêm quando a levo nas carnes.
Quando mais alto me colocam mais eu espero de mim. Desiludo-me assim. Não quero esperar nada. Nada sinto garantido. nunca. nada. Posso ver principios em mudanças, mas queria tanto saber que existe algo onde a palavra sempre se fizesse menos utópica.
Um para sempre crónico.
Saber-me no mundo de alguém sem medo do feio, do mau. Parece ser um dos maiores anseios da humanidade: saber que se pertençe ao mundo de alguém. que as ausencias são sentidas. que se é necessário. funciona como uma mézinha encantada que se quer acreditar curar a solidão.
Por vezes é mais fácil acreditar numa mentira quentinha. é quase irresistivel. Sentir-me embalada e abraçada por esta pele cheia do bem do mundo. acreditar que ficará sem cair. mas são tantas a peles que me dão corpo que seria impossível manter-me sempre assim. Aconteceria magia se realmente nada esperasse, e acarinhado o meu lado mais feio dar-me uma nova pele. Carregada de rugas de tão madura. Genuína.
Sei-me forte...mas sinto-me fraca... só quero abraçar tudo o que não espero.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

floresta de caminhos

Penso na floresta de caminhos onde se pode encontrar o que chamamos felicidade. penso no que é a felicidade. não será mais que um estado de energia pura que, mais do que acreditar, nos faz sentir a beleza de um mundo. paz.

queria-me deitada ali. fundir-me num manto de heras e sentir tudo. mergulhar as mãos naquela terra húmida e receber vida. trepar a uma árvore e ouvir as histórias que tem para me contar das suas centenas de anos vividos. cantar com o vento e de olhos fechados ver a Lua.

De todos os trilhos traçados pela floresta, escolho um caminho: o da busca do genuíno. Neste percurso encontro-me com todos os meus eu's. Concentrada e a sentir tudo com os sentidos todos e mais alguns. sóbria. aprendi-me assim e gosto.

As telas em branco já não me provocam ansiedade. Nelas, antes visto um medo de vida, vejo agora todas as possibilidades que me dei. Vou-me conquistando. Mais do que feita de caminhos escolhidos, sou os que não escolhi. Nestes vive uma floresta encantada de tanto acreditar, de tanto sonhar. Porque numa tela em branco há sempre tanta vida por pintar!

sábado, 19 de novembro de 2011

estranhamente anacrónica

Faz-se tarde. Tenho sempre esta sensação de estar no tempo errado. De querer dormir quando devo estar desperta. de querer acordar quando devo dormir. A pintura parece acontecer-me quando me esqueço da hora certa. Precisava de acertar o meu relógio entre o sentir que toda a vida é pouca para o que quero viver e o sentir que é uma eternidade sem sentido. um relógio sem minutos, sem horas ou segundos. sem tempo. Queria um relógio feito do momento. Só.

Consigo ver-me num tempo anterior. só me consigo ler, devagar, no passado. é o que acredito conhecer. é o que estou habituada a sentir. não deixa contudo de ser uma mentira. Afinal, já não está. Lá, nesse tempo, já não sou. No agora vejo-me assim como uma névoa de possibilidades, escolhas. Estou por concretizar! Sempre precisei de uma certa distancia temporal que me permita decifrar a minha forma. mas nunca é a mesma e não a consigo agarrar. Por mais criativa que seja não consigo criar a forma definitiva.

Sempre precisei de morrer para renascer. E assim nada, nunca, é definitivo.

O agora que sou é algo tão imatérico que não me consigo tocar. Vou-me vendo nos olhos dos que habitam os meus mundos. Tento acreditar no que acreditam que sou para dar-me um pouco mais de corpo. Um pouquinho de cada vez. Também neles vou observando os moldes das formas que gostaría de ter. Vou-me dando. Vou-me mostrando. Duvido das leituras. Raios! se duvido da própria dúvida! Por vezes desconfio moldar-me ao gosto dos outros. para os seduzir. para que fiquem sempre nos meus cantos. para que permaneçam no tempo certo. Preciso dos seus tempos para existir, dou-me conta afinal.

Sinto-me tão estranhamente anacrónica!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Foz

Na viagem que fiz descobri uma foz que tenho por dentro.

Foi uma viagem de encontros.

Pelo caminho vi pedras, mares e uma família. Havia vento e gotas de maresia que envolviam os meus cabelos humidos. Havia árvores centenárias enroladas por heras numa floresta encantada.

Vi o dia naquela noite.

Foi uma viagem de regresso. Por fim tinha voltado de um sítio que desconheço onde era. Esqueci-me de mim por dias e dias. Não os contei. queria dormir. queria acordar. mas não sabia do quê. Nem que dia era. Nem que noite. Fazia o que tinha a fazer, fazia tudo acontecer, mas não estava lá.

Dormente, apenas me vi num abraço. Era mesmo só isso!!! um abraço. Verdadeiro. Sentido.

Foram precisos outros olhos para ver-me. Como é bom ser-se visto. É afinal nesses olhos que sou. É afinal nesses abraços que existo.

Senti-me embalada assim abraçada.

Abri o vidro do carro e respirei: por fim! O vidro embaciado anunciava que sou mais do que uma respiração!

Estou tão viva afinal!

Abri o vidro do carro e olhei...e ouvi...e cantei...e senti...Tanto! Tudo! Era o mar, as pedras, a terra, a floresta...tudo estava lá na minha história encantada...

Abri o virdo e gritei: ainda há tanto por pintar!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011




'estive há dez minutos atrás na varanda do meu quinto andar a observar a cúpula invisível entre o céu e o enorme lego de betão e a sentir-me um inquilino passageiro desta pensão de uma estrela perdida na imensa cidade negra a que damos o nome de universo curiosamente parece ser o único sitio que temos para passar a longa noite que nos espera e é aí que eu saio para apanhar a frequência como que a comer um ponto e a cagar um verso no meu prisma a encaixar provavelmente no de outros feito um filósofo de merda mas a vida é isso mesmo um monte de gente a fazer de conta que se entende e ninguém sabe dizer o que viveu por isso nos pedem que caminhemos alegres para um precipício sem questionar porque estamos longe mas longe rapidamente fica perto e perto rapidamente passa para longe eu não quero mandar-te para longe mas eu sei que me entendes tu também tens medo de morrer toda a gente tem só que normalmente evocamos nomes de problemas para nos convencermos que estamos ocupados a resolver uma situação importante quando não tem importância nenhuma entretanto o tapete rola e nós irritamo-nos como é inevitável e nos nossos sonhos dizemos: torna-me imortal! torna-me imortal! Eu não vou aguentar deixar de existir e é aí que eu entro para sair da frequência seduzir-te com os meus sonhos tu não vês como empreendo e como eu mais um milhão de sonhadores leva com ele muitos abraços de outros acéfalos na lotaria dos ideais descrentes beijando o muro do bilhete mas quero dizer-te que a viagem é tua e não quero empurrar-te à força para a rua se eu falhar vou passar de deus a carrasco embalsamado e metido dentro de um frasco para te lembrares da mentira mas a verdade é que ganhamos sempre'

domingo, 23 de outubro de 2011

"um amor calado pela vida"










Só agora me apeteceu um pouco de música. um pouco de electricidade. a chuva hoje cantou-me o dia todo enquanto pintava. Delicioso... não me entristece a ida do Sol. Tudo tem o seu tempo. Esta chuva apetece-me. aquece-me. é uma chuva permissiva, uma chuva de possibilidades. gosto. o vento está tão forte agora. dá-me arrepios de viagem e leva-me a tantos sítios bonitos... Já não desejo o Sol enquanto chove, já não desejo chuva enquanto faz calor, apesar de gostar do inapropriado, do desenquadrado, do desalinhado...apesar de achar que as coisas fora de tempo têm o seu encanto, já não as desejo. Já não desejo nada que não esteja, que não seja. Conheço os meus desejos, sei-os portadores de tristeza. meu desejo é sinónimo de não ter. Desejo reduzir os meus desejos a nada! só quando o Nada é meu desejo recebo um presente verdadeiro. Sei-o paz. Só os meus sonhos quero que fiquem sempre nos meus cantinhos íntimos. Seio-os sonhos.
Ando a ler um índio mexicano, um tal de Dom Juan (imagine-se!)...talvez ele me esteja a encher com pedacinhos de sonhos, pedacinhos da verdade que quero para mim. gostei de o ler assim:"Somente a ideia da morte torna o homem suficientemente desprendido para ser capaz de se entregar a qualquer coisa. Um homem assim, porém, não tem anseios, pois adquiriu um amor calado pela vida e por todas as coisas da vida. Sabe que a morte o acompanha e não lhe dará tempo de se agarrar a nada, de modo que ele experimenta, sem ansiar, tudo de todas as coisas.
Um homem desprendido, que sabe que não tem possibilidade de evitar sua morte, só tem uma coisa em que se apoiar: o poder de suas decisões. Ele tem de ser, por assim dizer, o senhor de suas opções."

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

é urgente contemplar! é urgente curiosificar!





Já devia saber de que cacos sou feita e as maneiras como me parto. nem metade sei se sou afinal.
Se eu pudesse ler o tempo. se ao menos conseguisse sentir-me pertença. só queria receber a calma do caos com o olhar que não entende mas sossega. saber que ela chega quando não anseio nem mordo os lábios. preciso do saber pela questão. num diálogo feito monólogo ao jeito de Sócrates. sem problematizar, entender o mundo das ideias e acreditar que são apenas conceitos livres e abertos. dúvidas felizes.
precisava de respirar fundo ao som do silêncio, brando, baixinho. um sussuro.
Caótica de desentender. saudades do que nem sei. de quem não está. tenho saudades de falar comigo, de me saber ouvir. saudosismos de um calor que não queria falso.



não consigo escrever numa forma pré-fabricada. não consigo ler os conceitos absolutos. apenas nas entre-linhas vive o interesse.
Estou circular. neste sítio, cá dentro, pareço-me às voltas. se ao menos não sentisse o repetido. sempre esta presença feita de ausência.



o espelho não funciona hoje.



a janela não abre. não me deixo.
Queria um pecado em forma de chave-mestra que me abrisse. para me despir. ser vista nua através dos olhos de uma alma sem nome nem ideais nem julgamentos.
Queria pôr as mãos na terra e moldar-me num barro renascido, seguir numa carroça sem saber para onde vou e chegar lá. mergulhar num mar morno e deixar de sentir o meu peso. voltar ao útero.



Dou-me uma lufada de verdade e uma brisa de alívio. Sinto que toquei uma vez mais o meu limite de sociabilização e preciso respirar um ar só meu. nunca gostei de andar encarneirada e apesar de algumas vezes o ter feito sei que não pertenço a rebanhos. não tenho pachorra para conversa de conveniência. fala-se demasiado e esgotam-se as palavras num insistir em nada dizer. dos rebanhos apenas ouço ecos de ovelhinhas que um dia em vez de erva engoliram dicionários.



preciso-me curiosa novamente! digo para mim o quanto é urgente!!! preciso perguntar as respostas. falar pela pintura. gritar até. despertar. rápido e a sentir o tempo. Todo o tempo é meu também. Sempre e quando me deixe só estar, só ser. Contemplar a dúvida e dela duvidar de tanto acreditar.



Mais que viver é curiosificar.

domingo, 16 de outubro de 2011

FoMe


Tenho uma fome pequenina.
Gosto de comer pouco de cada vez.
Levo sempre uma maçã na mala.
Levo sempre um pedaço de Marta na algibeira.
Pedaço aqui e outro ali vou descobrindo o que queria e o que não queria. o bonito e o feio. mas guardo tudo. agora já guardo tudo! nada se deita fora porque nada desaparece; recicla-se, recria-se. refina-se. todos são pedaços que tanto procurei nos sítios perdidos...nas coisas erradas.
Houve um tempo que nem sei onde estava. tempo houve em que nem era. os pedaços espalhados por toda a parte, não se viam em lado nenhum, não havia lugar. não os queria ver. nem queira ser. preferia não saber...era mais fácil.
Tinha fome e tinha sede, mas não sabia do quê... Não havia espaço...não havia tempo.
Hoje vejo pedaços em tantos lugares, em tantas pessoas. Estão lá...no querer saber, no desejo do sonho, no sentir com os sentidos todos. Estão lá, num olhar, numa palavra recebida, numa tela pintada. numa folha em branco. Estão em todo o lugar onde me ouço. Estão em todo o tempo em que sei ser.

Já sei ver de olhos fechados. sei ouvir sem sons. já sei receber o que nada parece. Sei ler sem letras. Aprendi e gosto.
Prefiro saber agora. Escolho saborear.
Pedaços pequeninos, doces e amargos, ruidosos, gritantes e silenciosos. Pedaços que por vezes arranham mas não me tiram o apetite.
E...a minha fome já não é pequenina. Quanto mais me alimento mais fome tenho.
Tenho tanta fome de pedaços de Marta!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

o sonho de uma palavra pequenina

Era uma vez uma palavra dita.
Era uma palavra pequenina, daquelas que quase nem se dá por ela, contudo de uma importancia vital para o sentido das coisas. aliás...como todas as coisas pequeninas.
Era feliz na sua pequenez. Adorava o significado das coisas, principalmente das minúsculas.
Gostava da sua realidade. gostava de jogar com as suas as amigas palavras. gostava de saborear o sentido das frases, de se sentir útil. Gostava de ser dita e desdita, de ser pensada e repensada.
andava por aqui a e por ali. aparecia sempre que pronunciada ou escrita. Era uma palavra fiel e nunca se cansava de ajudar o seu companheiro entendimento e o seu primo conhecimento.
Não era uma palavra ambiciosa e contentavas-se com os modos mais simples da sua existência. Adorava todas as suas formas: o verbo o substantivo e tinha um carinho muito especial pelo adjectivo.

Era assim...

Contudo num dia como outro qualquer, acordou e pensou no quanto era esperado dela...sentiu o peso até das coisas pequeninas. E se um dia quisesse ir de férias? e se um dia quisesse desligar-se do mundo?
Começou a ficar triste e pensativa. tinha deixado de sentir a magia do conhecimento. Começou a questionar se seria assim tão essencial à produção do entendimento.
não deixava contudo de cumprir com o seu papel. lá estava ela sempre que dita ou escrita. Mas começou a ter um sentido prejurativo...havia nela algo de implícito que não se conseguia detectar numa primeira leitura. começou a ser uma palavra sonhada...cheia de sinónimos e antónimos...começou a crecher...já não era tão pequenina.
as suas amigas palavras começaram a achá-la estranhamente apática...nostálgica...não entendiam e um dia perguntaram-lhe: "amiga estás bem?" ao que ela respondeu "Sim...estou só a sonhar...sonhar....sonhar..."
"E que sonhas?" - perguntaram
"Sei lá...sonho com tudo e com nada. Mas o meu maior sonho era só ser uma palavra por dizer!"

terça-feira, 20 de setembro de 2011

o outro lado

Há sempre um outro lado. De tudo. para tudo há o outro lado.

No outro dia vi um filme que falava sobre os mundos imaginárioas das pessoas e de como isso as libertava. Em forma de um conto fabulesco, as pessoas atravessavam um espelho e, sem saberem, no outro lado encontravam o mundo das suas imaginações. encontravam os seus recantos mais íntimos, mais assustadores e mais encantados.

Conhecer-se pode ser assustador, mas a coragem que esse acto implica oferece uma liberdade sem precedentes.

Penetrei no imaginário daquelas personagens e vi-me em cada uma delas.
À velocidade da luz desejei entrar por aquele espelho e imaginei como seria o meu mundo do outro lado de mim: tudo que lá estivesses teria a beleza de todos os mundos e estaría banhado por uma música silenciosa. Uma música que só se ouviría com o coração e sería a música mais linda que alguma vez tivesse ouvido! tudo era Natureza, inclusivé eu e todos os que lá estivessem. todos se olhavam nos olhos porque não existiría culpa, vergonha, inveja ou medo. todos se tocaríam ao som do amor porque se sabia aceitar a dor. todos seríamos amor afinal. e saberíamos o que fazer com isso.
Os bosques ofereciam-nos as frutas mais deliciosas e as árvores sorriam, porque recebiam o nosso abraço. As águas eram limpas, cheias de libelinhas de cores nunca vistas. tudo era morninho, não havia frio nem calor. os animais seríamos todos e saberíamos o que precisamos de saber: nem mais, nem menos.
Cheirava a rosmaninho a rosas e a mel.
Havia cavalos azuis e animais centenários. havia oxigenio em todo o lado e poderíamos respirar dentro de água. poderíamos voar e caminhar num caminho de nuvens roxas e tocar o arco-íris.
Lá, do outro lado do espelho, seria tudo o que quisesse ser. e melhor: sabería tudo o que queira ser e acreditava poder sê-lo sem nunca ser tarde nem cedo para tal.
Todo o tempo era o certo. todo o momento era o agora que se quisesse viver. e melhor: viver-se-ía! Todo o espaço sería o de cada um. e melhor: faría parte dele por inteiro.
O passado seria uma anacronia e o futuro uma utopia. só o momento existia!
Estaría inteira. completa. não sentiría falta de nada porque aceitava o que lá estivesse para mim. Não havería o desejo infundado porque tería tudo o que desejasse...tería-me a mim!
Não havería frustação, porque se desconhecia esse sentimento e a perda afinal era um ganho.
E os pensamentos...esses...seríam apenas prolongamentos do melhor da alma e seríam sempre bem vindos. seríam sempre bonitos e limpos e encaminharíam as acções igualmente bonitas e limpas.
As lágrimas seriam fragmentos de sorrisos, porque se sabia crecher com elas. e sabiam bem, sabiam a algodão doce. e os sorrisos, esses, seriam sempre genuínos, seriam sempre os de criança.
Tudo sería uma tela em branco. uma tela por pintar. tudo estraría por pintar. sempre.
o fim era algo desconhecido. não era preciso. não existia.

Fecho os olhos e desejo-me lá, no outro lado do espelho, no outro lado de mim. e quero-me lá.
vou pegar em mim ao colo, dar-me um abraço, e voar para lá e assim ficar em estado de sonho. aceitar os meus arredores mais repulsivos e dar-me um beijinho.
Hei-de sonhar...sonhar...até acordar...e mesmo acordada sonhar mais.
o sonho apetece mais e vou por lá ficar hoje...no outro lado.

estou codificada

Não sei onde me quero. sinto a alma arranhada. Estou codificada e esqueci-me da palavra-chave.
Precisava de ausentar-me de mim, mas já não posso nem quero. mas sei que precisava. Tem que haver uma maneira de desligar isto tudo aqui na cabeça. está tudo numa linguagem que não domino. não entendo. não consigo ler-me e sinto-me tão cansada.
Desejava só deixar-me ir num abraço verdadeiro. era mesmo só isso, um abraço!
Tento seguir viagem, mas os dias vão passando e simplesmente não consigo....estou tão cansada dos regressos e das despedidas. de carregar o carro desta bagagem feita de sonhos. De me mentir o quanto aprecio a vista. do quanto adoro conduzir. quando na verdade o que mais queria era ser conduzida.

Volto a fazer as malas, coloco mais um sonho na bagagem, abro o vidro e canto com o vento a canção do 'até breve'. e triste, porque não queria despedir-me das minhas pessoas. queria-as sempre comigo. queria-me a mim sempre comigo.

preciso tanto de mim! e não sei onde me quero.

domingo, 18 de setembro de 2011

Marta a pintar o Mundo ou o Mundo a pintar a Marta?

"olha Marta, esta és tu a pintar o Mundo!"
As lágrimas ficaram retidas.contidas. muito pouco faltou para as deixar cair. mas também sempre fui uma chora-fácil. caramba se até a ver desenhos animados choro, como não chorar da primeira vez que sou retratada...
já fiz muitos retratos meus e dos demais. já vi muitas pessoas. mas sentir-me vista, assim, confesso que foi algo mágico.
é também nos olhos dos que me vêem que sou e existo. é também nos olhos dos outros que me vejo. é bom ser vista. na verdade cada um vê o que quer ver, lêr-me-á como entender. e eu dar-me-ei como melhor souber. mostrar-me-ei como sou no momento. não sou muito nem pouco, não sou mais nem menos, não sou grande nem pequena, não sou e sou ao mesmo tempo.
Tempos houve em que me escondia numa mentira em que acreditava, que não sabia. hoje as verdades em que acredito não são as absolutas. de tudo podemos fazer verdade, menos torná-las absolutas. uma verdade tornada absoluta é uma possibilidade que se fecha, é a anulação da descoberta, é um fim! e fins não quero mais do que o da própria vida, o único que é verdade. tudo o resto é para mim um caminho, um processo, uma busca, possibilidade...sem destino nem fim! e isso é tãoooo booom!!!
Não...não quero fins, não quero verdades absolutas, não quero deixar de caminhar, de buscar e acreditar. é isso que me dá vida, é isso que me dá verdade. Essa sou eu a pintar o mundo!
o meu maior medo é do dia em que deixe de buscar verdades, de perguntar, de criticar, de questrionar. se o dia chegar em que acredite que encontrei A verdade será porque já não estou. nesse dia deixarei de ter perguntas...apenas respirarei. esse dia seria a minha mentira.
Até lá, estarei, serei, pintarei o Mundo...ou antes...deixarei que o Mundo me pinte a mim!

sábado, 17 de setembro de 2011

Preciso sair daqui! Não consigo respirar!!! Como foi que te mandei embora se o que mais quero é-que me leves a um sitio bonito. Tira-me de mim!!!


Abri a porta do carro: tenho que sair daqui! Mas fechei-a e comecei a caminhar. Pelo caminho vi que de onde eu queria sair já não me era possível. já não consigo sair de mim. Levo-me sempre comigo.
E lá fomos...andámos, andámos, andámos...só parámos na minha infancia. de frente sentei-me numa escada. estava gente em casa. vista assim de fora pareceu-me tão pequenina, ou talvez sejam todos estes eu's que ocupam demasiado espaço.
Não sei porque fui ali parar. queria uma resposta. ou pelo menos uma pergunta que me ajude a ver-me. e lá estava eu na minha primeira bicicleta, a azul.
No regresso cruzei-me com uma criança da minha infancia, já grande agora. Esbocei um sorriso-porque os rostos não se esquecem-seguido de um olhar desviado, envergonhado, culpado...como só o olhar da gente grande.
Desejei-me criança, ali dentro das casotas do cães que já não estão, e a jogar baseball inventado num campo que já não é, e naquela rua cheia de crianças que já não são. sujar-me sem me preocupar. Lá, não sabia o peso da preocupação...lá, não me comia por dentro este virus chamado Marta.
Agora, neste aqui, desejo uma tela para pintar, desejo cor de manga. Lembro dos sorrisos e queira saber chorar.
que saudades do rir da criança

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Inquieta.
Não gosto de sentir os meus mundos baralhados.
Começa por não conseguir ver o que se passa no mundinho de dentro. depois por não querer ver o que está à vista. Tento tapar com a cortina das palavras que se entendem bem, que ficam bem.
e como detesto o politicamente correcto! e
Por fim já estou com o mundo de fora um caos. Chegam coisas novas por fora que não sei se quero receber, se quero entender, se quero sentir. e cá dentro o ruído já é tanto porque tenho medo das feridas. ainda mais das cicratizes.
Quero-me nesta Primavera existencial, mas as minhas memórias não me deixam agarrar o momento e sinto os dias as ficarem mais curtos. sinto a chegada do Inverno interior.
Queria tanto entender. Saber ler as chegadas. Agradecer as partidas. Suportar as despedidas.

e...tenho medos.

Cansada das pessoas intermitentes, tento acreditar que ficarão. que eu as deixo ficar.
O que mais gosto da vida é a libertade, e as possibilidades que me dá. Adoro o que está para vir. acreditar na mudança. Mas tiro a cortina e vejo que na verdade o que eu queria mesmo era uma mudança que não mudasse. uma mudança com verdade.
uma mudança que ficasse sempre assim...sem mudar!

sábado, 10 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

queria . . .

queria-me ali, deitada a olhar a Lua a crecher
queria descalçar-me e sentir a pedra quente por baixo
queria despir-me de mim e ser vista assim
queria apanhar as 4 estrelas que cairam e levá-las comigo nos meus desejos
queria ouvir o que me diz o vento
queria cantar com a voz da vida
queria o sorriso recebido, assim retribuido
queria um sonho bonito esta noite
queria deixar-me só ser
queria acender a alma como descobri
queria acreditar, sempre
queria libertar-me do momento seguinte
queria saber ler o que ficou escrito cá dentro
queria só um pouco mais daquele pedaço que julgava perdido
queria os meus cabelos enrrolados nas mãos de quem me vê sem ter que me apresentar
queria agarrar aquele cheiro que está em tudo e em nada
queria encontrar-me naqueles arredores que adoro
queria saber abrir as caixinhas dos meus recantos escuros para que entre o Sol
queria-me no calor que sei receber, e ficar assim...morninha
queria um vida simples de tanto sentir
queria-me naquela história de encantar
queria devolver o olhar de quem me lê
Deus meu como eu queria saber parar o Tempo a ficar ali...deitada naquele chão de pedra quente...e deixar-me ir com as estrelas que correm...sem saber onde vão




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Encontrei um pedaço de Marta que julgava desaparecido! Estava aí, onde me vês. e descobri-me nesse pedaço encantado pela sabedoria do receber. E agora aqui a sentir este vento da planície abro os braços e sussurro baixinho para que ninguém ouça: bem-vindo!
Era aí, onde me buscas, que gostava de estar.
Não ouviste o tempo a parar? ficou ali...assim...congelado. Ainda lá estou, nesse tempo, que afinal não parou e é agora uma presença feita de ausência.

Sei que me procuras num sitio cheio da beleza do mundo, com cheiro a menjericão e de pinheiros lavados por esta chuva de Verão. e recebo 33 abraços sentidos de quase Outono. e é bom.
Os teus olhos contam-me histórias que de ti nunca tinha ouvido. Tens recantos que adoro. Arredores limpos: como é possível ainda haver pureza? Há almas assim. E quando as encontro quero-as em mim. para mim.

Não imaginas a vida que me deste!

Pertences a uma espécie em vias de extinção. Uma raça de seres que sentem e procuram, dentro de si, o sentido desta treta toda, a que chamamos existência.

não te vás embora. quero-te nos meus mundos!

É novo este sentir e não o entendo. Faz barulho. Ruídos estranhos, misteriosos. Estou curiosa sem saber o que procuro. Porque é mesmo só isso. O novo. como quando vi pirilampos pela primeira vez.

E grito muda porque já tenho saudades do que nem sei. Não me ouves?
Gosto desse mimo que não sei receber. Gosto deste rir que me faz doer a barriga. Gosto desta nudez desavergonhada. Gosto desta conversa interminavél. Gosto deste não desejo de ausência. Gosto de ser vista por ti. Gosto tanto deste pedaço meu que encontrei. e por enqunto só sei mesmo isto...nada mais.
Agora aqui sentada, falo contigo em silêncio, e só queria que me chegassem as palavras para o que sinto. É-que bolas!!! não me chegam as palavras para o que sinto...
Sempre este viver antecipado. Porque raios vejo tudo sempre tão complicado?
ai...que já estou com saudades.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SILÊNCIO

Preciso de silêncio.
Não o silêncio feito da ausência de sons, mas sim um silêncio psíquico. Um silêncio que surge quando os ruídos que pecorrem os meus mundos se calam. Estes, o mundo de fora e o de dentro, estão em constante comunicação. contactos normalmente barulhentos, pois é-me ainda dificil experimentar acalmia quando espreito o que se passa fora de mim. a verdade é que não gosto do que vejo, não gosto deste mundo de complexidade mentirosa. Um mundo por onde se caminha vazio na ansia de nele se encontrar respostas,um mundo cheio de estímulos que me cansam mas não me iludem ,pois sei que nele apenas pertenço e permaneço até que queira. mas não me encontro nele.
No meu mundo de dentro está sempre tudo a mexer muito. Informações contorcidas em movimentos espamáticos, que não se conseguem explicar por palavras. Estas, sendo signos inventariados por uma humanidade gasta de tanto engano, estão esgotadas.
Já não há palavras...não as encontro.
Melhor teria sido se tivessemos permanecido na pré-história, onde nada se escrevia e tudo se sentia. não havia tanta necessidade de explicar as palavras para resolver os conflitos. Haviam poucos signos, alguns feitos de imagens sugadas do olhar. e bastava. não havia luzes que ofuscassem as estrelas. Lia-se o tempo pelo Sol e o espaço pela Terra. e bastava.
Mas era inevitável que a humanidade logo precisasse de multiplicar e catalogar as formas de comunicação. E tudo bem, pois a principal intenção era a da criação da linguagem, era a da união universal dos seres falantes. Era evitar os conflitos e unir. E agora pergunto: E...acalmaram-se os conflitos? Há mais comunicação pela linguagem? Somos civilizações mais unidas? Somos seres mais explicados e resolvidos? Não me parece...
Por isso vivo na pintura. só ela me permite 'dizer' o que esperneia cá dentro. Só ela faz com que atravesse as pontes que unem os dois mundos, por caminhos de terra molhada por uma chuva de Verão. Só nela vive o instante feito do sonho que me abraça. Só na pintura mergulho em águas quentes e brandas. Só nela toco o que nunca vi nem sei. Só nela vejo o que não se diz. e só ela permanece onde as palavras nunca chegarão.

Não me chegam as palavras.

Chhiuuuuu....preciso de Silêncio.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

I remember the suspended meaning

"I remember memory as if it were a memory...I remember a place where I could extend my thoughts...I remember words leaving my mouth without me...I remember them saying: 'WHAT DOES MIRROR LOOK LIKE WHEN IS NOT WORKING?'..."


sábado, 16 de julho de 2011







quantas Francescas Woodman? quantas vezes te multiplicas. quantas vezes me sinto como sempre te fotografaste em autoretratos crus - uma suicidada da sociedade - só porque sou ausente.



quando foi Francesca...qual foi o momento que te tornou desintegrada? quando foi que realmente te suicidaste? sei que foi muito antes de te atirares de uma janela aos 22 anos. quando foi Francesca? vejo-me em todas as prisões das tuas fotos, são antes espelhos. daqueles que não reflectem, daqueles que se respiram. Raios...mas será que niguém te ouviu?!!!? tantas fotos, boas! tantos gritos, altos tão altos. e ninguem te ouviu? e porque agora todos falam de ti? os criticos então são fenomenais nas suas brilhantes respostas carregadas de palavras caras, que me cansam. o silêncio que se ouve quando os que se pensam vivos cotemplam as tuas fotos. os que te vêem ficam mudos por séculos no seu interior, porque o confronto é demasiadamente cru. e dão por eles ali despidos quase a tocar a verdade. e eu tenho saudades das fotos que nunca chegaste a fazer, porque nao te deste tempo. mas vejo-as todos os dias. em cada caixinha vazia dos meus cantos, estás lá, em cada sitio escuro, estás lá.



e tudo fica ali, num sítio escuro , fechado em caixinhas vazias. secalhar porque é ali que deve ficar. quando foi que deixei de sentir o tempo? quantas vezes mais terei de acreditar que a vida será sempre pouca para o que quero? e quantas outras me parecerá uma eternidade?



Cansaste-te não foi? cansaste-te de esperar a resposta. entendo. eras crua nas tuas histórias e não mostrasvas medo de as contar bem alto. quando foi então?



sei que em aguma altura pertenci a algo. sei porque por vezes vejo a minha silhueta em tanta coisa: na terra, numa sombra, numa conversa sem palavras, numa tela por pintar. sei que estive lá, que pertenci. quando foi que isso aconteceu? já não vejo o tempo, nem acredito. por enquanto só vejo silhuetas. por vezes parece que ainda nem nasci. por vezes parece que nunca estive, nunca fui. fui apenas importancia relativa. se pudesse ao menos encontrar o momento!



sei que algumas caixinhas não se vão encher só porque eu quero. sei-me capaz de muita coisa, mas não disso. ficarão assim vazias e escuras à espera das respostas.



quando foi Francesca?

domingo, 10 de julho de 2011

o espaço e o tempo são apenas coordenadas de um ponto de referencia: nós

Apesar de sentir que o espaço é onde estou no momento, que sou eu que faço dele pertença ou pelo menos tento pertencer a ele. Afinal o espaço e o tempo são apenas coordenadas de um ponto de referência: nós próprios. Já o digo há muito tempo. desde que aprendi a falar com os sentidos.
Mas de cada vez que me aproximo ao calor da terra que me viu nascer, tudo em mim se transforma. É algo mágico. Abro o vidro e cheiro a terra, o ar quente da planície,os abraços daquele vento. Sei que pertenço ali. Simplesmente sei.
saudosismos feitos em conversas carregadas da memoria de que sou feita: lembro sair da escola primaria e ir para o agora hospital em obras, e naqueles ruínas ficar só a ouvir os morcegos, e a gostar do medo que sentia. lembro de viver na rua cheia de outras crianças. lembro de pelo caminho, de chave de casa ao pescoço, ir apanhando brunhos das árvores daquela rua, para logo ficar com dores de barriga. lembro de ir pelo caminho de ferro, agora uma ecopista da moda, e ver a os carros passar por baixo. lembro de apanhar caracóis nos meus amados moinhos, lá no alto de S.Bento.
Há muito anos que não faço desta terra o meu espaço, mas volto sempre com saudades do cheiro, do campo, até mesmo daquele café onde cresci . Os barulho e os cheiros formam mudando e como não aceitava, não gostava. Tento aceitar, até porque só pertence aos meus dias aquilo que eu quiser e me permitir. vou para as traseiras e enebriu-me de cães e gatos . Adoro aquele caos consumado, talvez por não ser o meu diário, talvez porque os animais sempre tiveram aquele dom de me dar felicidade, de me fazer sorri gratuitamente. É bom.
Sei que é por aqui que vou parar, mas ainda não vou parar agora. Ainda há muito por conhecer. Quero ainda sentir, nem que por uma só vez mais, aquela sensasção de estar num sitio desconhecido, pegar num mapa porque não sei as ruas, nem os sitios, nem as gentes...e a pouco e pouco ir descobrindo...e crescendo com isso.
Logo, mais logo na minha vida, quando já não sentir muitas forças, quero parar. Aqui.
Deixar-me abraçar por este vento quente. E cheirar estas ruas limpas. Verdade que nunca vi uma cidade tão limpinha!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Há dias perigosos



Há dias perigosos.


dias onde o momento do momento pode ser transformado num perpétuo passado. Fazer eternidade de um só momento não é proeza fácil. É antes mentira feita verdade.


Quando a mesma perda se repete...e se repete...e repete, deixa de chamar-se perda: é uma mentira. invetariada pela verdade imposta dum sentir-se estranho a si, de um acreditar que se conhece, um afirmar que se entende. Dum estranho que não se apresenta ao seu 'outro'. Assim nunca mais o 'um' se torna uno e é antes um 'outro' transmutado no 'outro mesmo'.


Nos dias perigosos quando olho ao espelho não me vejo! assusta porque está lá tudo reflectido, menos eu! E sabendo que existo, essa estranhesa de não me ver, transforma-se na mentira do que por vezes sou. e sei que existo porque ao respirar o vidro fica embaciado, mas não me vejo....que espanto: sou transparente! Caramba, não serei mais que uma respiração? Não serei mais que uma pergunta? Serei mais que uma resposta, concerteza.






Que canseira! Estou cansada.






A fingir estar acordada, vivia. E vos mentia a todos o quanto me entendia e mentia a mim o quanto estou viva.

Nos dias perigosos, só uma restia de razão me agarra e é dona do não me ter morto inteira. Porque a mentira em que vivi era abraçada por um instinto de morte. Não uma morte como para morrer...não, essa não! Era mais um matar-me para ir morrendo.



E agora não há mais nada, só me resta isso: voltar à vida.



Desencontro feito de encontro. Perco-me para me encontrar. Morro para renascer. Repondo para perguntar. E vivo para encontrar, perder e perguntar e nem quando morri, vivi só para respirar.






há dias perigosos!



quarta-feira, 29 de junho de 2011

há vida depois da janela



vou desligar isto na cabeça!

preciso respirar-me. parar.


paro.


olho à volta.


espreito a janela. janela antes feita grade de uma prisão em mim que não me permitia ver a vida depois da janela, nem noutro sitio qualquer. eu não me permitia.


olho pela janela. aberta agora, claro.


é fenomenal a parafrenália de flores, árvores e plantas que me espreitam também. sempre me impressionou a força de vida que estas vegetações têm num mínimo espaço de terra, entre prédios em plena cidade: há uma nespreira, um limoeiro, pesseguerio, couves, tomates até uma bananeira!!! plantadas pelo srº da loja ao lado.


antes em desalinha lá vinha a vizinhança que já cá vivia no prédio pedir-me para saltar o meu quintal e ir buscar nespras...ou só destruir o criado, pela raíz dos seus conflitos. isso agora acabou! já não me entra mais ninguém pelo quintal. eu não quero. aliás, acho o homem da loja um verdadeiro artista que consegue fazer nascer bananas em Lx. Já houve tempos em que até galos e galinha tinha. e um cão enorme que me saltava para o quintal arás dos gatos. mas isso acabou também! galos de cidade cantam a qualquer hora, porque o nascer do sol esconde-se entre os prédios. e eu...eu não dormia e perseguia-os de madrugada. mas isso acabou.


lembro-me bem do dia em que vi esta casinha. o ninho que me recebeu de tantas formas, que me viu de tantas maneiras.

lembro-me bem da bungavília magestosa que cobria com sua copa quase todo o quintal! linda. a uma dada altura teve que ser abatida! (snif) teve que ser. mas já está a despontar de novo.

plantas que nunca tinham sido vistas pelo meu canteiro começaram a crecher, nem a dona Eulália, com os seus 80 anos, nunca as tinha visto...

uma são jarros, que nascem às desenas quando é a sua altura, depois há as trepadeiras que aparecem de todos os lados subido pelos muros, a outra por qual me apaixonei, batizei-a de Verduska. até folhas suas fossilizei em certas pinturas.

quando regressei a esta casa passados anos, que estive nem sei bem onde, num qualquer filme do Amodôvar a viver num castelo de areia, a Verduska já não estava...pelo menos não como antes. O que antes eram folhas monstruososas, eram agora folhagens semiticas amareladas. arranquei as suas raízes, cheias de um qualquer fungo marado...pensei que nunca mais a ía voltar a ver... -A Verduska morreu...pensei!

Há 2 semanas para meu espanto a Verduska renasceu!!!! montes e montes de rebentozinhos despontam agora pelo canteiro, a anunciar aquela força bruta duma planta que creche como eu nunca vi nehuma! rego-a e espero ansiosa a sua companhia!

a Veduska teve que morrer para renascer...agora mais verdinha e linda que antes!

olho pela janela, digo-lhe bom dia Verduska! vejo-me nela e acredito.


Há tanta vida depois da janela!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ainda tudo é tão nada II

Tenho frio...estou gelada
é esta bola de coisas sólidas que tenho dentro que me faz estar assim...gelada
estão 30º lá fora e tenho frio
porque é tão dificil ser livre? porque me é tão duro suportar as dúvidas? porque faço tantas perguntas? mas para que me servem tantos porquês!
Bolas!
Ainda tudo é tão nada
"Contei-me tantas verdades que eram mentira, disse-me guerreira e era presa" ...pois foi minha amiga grande...e pergunto-te em que verdade estou eu mergulhada que não a vejo? sou mentira, pequenina, escondida, estranha, despida e tenho frio. e...onde estás tu? que verdade é a tua?
preciso tanto dos que me vêem como tu...preciso tanto que me entres na cabeça só com o olhar. como sempre fizeste, sem precisares de palavras. é disso que sinto falta. de me ver assim..pelos teus olhos. e não estás...
Outros vão surgindo. Sei-me capaz de construir novas verdades. de me acontecerem pessoas. Mas é díficil, porque em todas vou procurando essa coisa mágica da comunicação pelos sentidos...sem palavras, como nós comunicávamos. é dificil porque não me dou por completo. aliás nem sei que de mim dar. Nem sei de mim afinal. Procurei-me tanto nas coisas erradas, que agora não sei onde me procurar...não sei as verdades.
Ainda tudo é tão nada.
Parece-me ver surgir a silueta de um amigo novo. Mas tenho medo desse nome. já foram tantas as desilusões. tenho medo. já quase não acredito pois "Contei-me tantas verdades que eram mentira" ...e tenho frio.
Preciso tanto de verdades...de um olhar que me veja sem precisar de me apresentar.sem precisar de falar ou chorar...estou farta de falar. Preciso tanto de me dar. Preciso tanto de mim.
Ainda tudo é tão nada

sábado, 28 de maio de 2011

Oscar Wilde disse...



Oscar Wilde disse em 1891: “Por mais paradoxal que pareça – e paradoxos são sempre perigosos - , a verdade é que a vida imita muito mais a arte do que a arte imita a vida”, e hoje eu digo que não quero pintar o Mundo, quero que o Mundo me pinte a mim!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

a Palavra



”Falamos demais” - escreveu ele em sua madureza.
”Deveríamos falar menos e desenhar mais. Eu, pessoalmente, gostaria de renunciar por completo à fala e, imitando a Natureza organizada, comunicar por esboços tudo o que tivesse a dizer. Aquela figueira, esta pequena serpente, o casulo aguardando serenamente o futuro no umbral de minha janela, tudo isso são importantes signos. Quem fosse capaz de decifrar corretamente seu significado poderia pôr inteiramente de lado tanto a palavra escrita quanto a falada.



Quanto mais penso nisso, mais encontro futilidade, mediocridade e até mesmo (sou levado a dize-lo) fatuidade na palavra.



Contrastando com isso, como nos assombram a gravidade e o silêncio da Natureza quando com ela deparamos face a face, concentrados diante de uma colina estéril ou da desolação de um outeiro que a erosão desgastou.”



GOETHE

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"Tinha vantagens não saber do inconsciente,
vinha tudo de fora, maus pensamentos, tentações, desejos.
Contudo, ficar sabendo foi melhor, estou mais densa, tenho âncora, paro em pé por mais tempo.
De vez em quando ainda fico oca, o corpo hostil e Deus bravo.
Passa logo.
Como um pato sabe nadar sem saber, sei sabendo que, se for preciso, na hora H nado com desenvoltura.
Guardo sabedorias no almoxarifado."

Adélia Prado

sábado, 7 de maio de 2011

Ainda tudo é tão nada



Tenho o olhar triste hoje.
Penso muito.. penso demasiado, acho.
Idealizo Martas...idealizo Marta destemida, dinâmica, amiga, energética, sem medos, trabalhadora, responsável... blá blá blá. E penso se o porquê destas idealizações é genuíno? é verdade? Não serão essas Martas uma vez mais a projecção do gosto dos outros?
Hoje tenho o olhar triste pois sinto que ninguém me vê, e se por um lado finjo que isso não me toca, por outro - o mais duro - sofro com isso. A verdade é que sim, gostava de se vista. Mas como? se não me deixo ver...não me permito...
O meu olhar está triste hoje porque me sinto perdida no meio de mim. Uma estranha.
Tenho uma estranha cá dentro.
Todos os que povoam o meu mundo me parecem estranhos também, e eu serei uma estranha para todos...porque não me vêem...eu não deixo. Nem sei que deixar...já não sei que mostrar. Não sei como me mostrar. Não sei como olhar, e por isso o meu olhar está tão triste.
Tenho medo de não conseguir ver mais que isto. tenho tantos medos afinal. ainda tudo é tão nada, que sinto medo.

Assustada com esta estranha cá dentro. Só quero apresentar-me a ela, conhecê-la e deixar de ter o olhar triste. Porque não se vive no medo. Não se vive na mentira da ignorância.


Ainda tudo é tão nada.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

o coração do Martim vai para o sítio certo

Walter Benjamin “Sala de Desjejum,”

“Uma tradição popular adverte contra contar sonhos, pela manhã, em jejum. O
homem acordado, nesse estado, permanece ainda, de fato, no círculo de sortilégio do sonho.
[...] Nessa disposição, o relato sobre os sonhos é fatal, porque o homem, ainda conjurado
pela metade ao mundo onírico o trai em palavras e tem de contar com sua vingança. [...]
Está emancipado da proteção da ingenuidade sonhadora e, ao tocar suas visões oníricas sem
sobranceria, se entrega. Pois é somente da outra margem, do dia claro, que pode ele ser interpelado por recordação sobranceira. [...] Quem está em jejum fala do sonho como se
falasse de dentro do sonho.”

domingo, 1 de maio de 2011


terça-feira, 19 de abril de 2011

P A R A B É N S




Cheguei à recepção. Tão angustiada, perdida, assustada, rendida. Lembro-me do olhar triste da minha mãe; ser iluminado que me deu a vida mais do que uma vez. Lembro-me de apanhar um trevo e colá-lo nas páginas do meu diário gráfico citando "Porque procuramos sempre um trevo de 4 folhas quando a Natureza os fez de 3? Porque nos complicamos a existencia?" .


Esse diário foi-me retirado assim que lá entrei e alguem me disse "aqui não podes desenhar...não vais ter tempo, talvez no fim-de-semana!" Chorei de medo. Como?? não vou poder ter o meu diário sempre comigo??? Como não terei tempo??? Mas é um diário...feito de momentos. E os momento não acontecem só ao fim-de-semana!!! Mas que momentos tinha eu? Se nem vida tinha!


Desci aquelas escadas sem me sentir e gritava em silêncio "Ajudem-me por favor". Uma alma ferida como eu sentou-se a meu lado e ofereceram-nos uma sopa, que tentávamos tragar a muito custo. Olhar perdido, palavras sem nexo. Olhávamo-nos mas nem nos viamos. Vazio.


Seguiram-se muito abraços daqueles que eu nunca tinha sentido e disseram-me "Bem vinda". soube-o então: já não estava sozinha!


Aos poucos comecei a abrir o olhos, a caminhar, a sentir..a sentir tudo! Era terrível...tanta dor. Chorei como nunca tinha chorado antes. Chorei muito. Chorei tudo.


Foi há um ano. Hoje sinto tudo com os sentido todos e é bom! Tenho abraços à minha espera todos os dias. Vida afinal.


Parabéns Marta.

domingo, 17 de abril de 2011

presença ausente

(Paula Rego)

Quem serão todos? O que serão? o que se fazem ser...o que se deixam ver.

E os que para mim simplesmente são, onde estão? porque desaperaceram? tenho saudades de ver-me nos vossos olhos.

Dei um mergulho no mar e quis deixar-me ir no seu abraço. Ele esteve comigo e é tão grande e tão forte, que gostava de ter ido com ele para longe. Pedi-lhe que me levasse até ti.

Não entendo...há tanto que eu não entendo. Que âncora é essa que te prende? é tanto o silêncio. e doi. Doi muito.

Pedi ao mar que me desse paz. que me ajudasse a entender os que me são tanto, mas nunca estão. Pedi-lhe que te levasse um beijinho e um abraço apertado, um abraço sentido como o que te dou em pensamento.

Gritei-lhe baixinho o que me doi, murmurei-lhe que só queria entender, sussurei-lhe a falta que me fazes. Supliquei-lhe que te tirasse de mim.

É uma névoa que não se aparta por mais que brilhe o Sol...e hoje brilhou para todos: os que estão e não são, para os que são mas não estão, para os que querem ser mas não sabem o quê, para os que sonham porque olham para fora e para os que crechem porque não temem olhar para dentro.

Pedi-lhe que me ajudasse a ver para além das máscaras.

Estou tão cansada desta presença ausente.

Só queria entender.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Não...Não tenho medo de morrer. Tenho medo sim de não ter tempo suficiente tempo suficiente para descobrir quem sou no meio disto tudo quem sou e qual é o meu lugar no Mundo...a que pertenço afinal? Medo do que possa perder se esse tempo o não viver ou se o viver na mentira. e na mentira assim como na ignorância não se vive: respira-se

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sono e sonho


hoje ainda não acordei e daqui nada vou-me deitar. ando assim de olhos abertos a olhar para dentro. há dias assim, em que o sonho apetece mais.


hoje lá na escolinha houve uma palestra sobre o sono. perguntas no ar: "mas se fomos feitos para viver, porque temos que dormir?" ...linda criança com a vontade de vida no olhar...sim, poderia ser mais compreensível viver acordado sempre e logo se dorme tudo de uma vez, quando for a altura, e aí já não se acorda mais. pelo menos não para aquilo que se conhece.

E respondem os srs. doutores: "dormir é essencial para a vida, é a altura em que o nosso cérebro organiza a informação e os nossos orgãos se recuperam...e o sonho...bem, o sonho é quando a informação se cruza e se misturam acontecimentos, é quando podemos ser tudo o que não podemos ser acordados"

E por isso hoje estou em estado de sonho. Faço tudo como se estivesse acordada, mas na verdade não estou. não é novo este 'sonambulismo', nova sim é a consciência que tenho sobre tudo isso que quero ser e que não posso ser acordada.

Neste estado estou com quem quero e não posso, digo o que realmente penso e não devo, olho nos olhos de quem não me vê e devia. neste modo, invento cores nunca vistas, cheiro alecrim esfregado na mão de um amigo novo, vejo o Sol de noite e a Lua de dia.

Assim todas as memórias vivem em harmonia e fazem a história de que sou feita.

e é bom

terça-feira, 22 de março de 2011

o dia em que todas as Martas deram as mãos



podia ter sido um dia como outro qualquer. acontece que os dias agora nunca são mais do mesmo. assim ... como qualquer dia, foi um dia especial. vi-me então. estava deitada no chão. mal me vi porque estava quase transparente, era uma mulher fantasma que reconheci. era o eu de então. peguei-lhe na mão e disse: "acredito em ti...acreditas em mim?..então dá-me a tua mão e vamos voar", olhou-me com o que lhe restava de um olhar quase morto e deixou-se levar. abracei-a, mimei-a, acarinhei-a, peguei nela ao colo e lá fomos.

nesse dia estava cansanda de não entender as pessoas que se queixam muito. descobri que tenho um limite de sociabilização. ultrapassado esse limite, desligo e fico ali . . . ausente. isso acontece-me quando não quero participar nos queixumes dos demais, no dizer porque é o que se diz, no seguir a moda do choradinho da crise, no consentir da desmotivação generalizada, e nas doenças??!! puffttt..é incrível: porque falam tanto as pessoas das suas dores nas costas, na tosse, nas suas dores de cabeça intermináveis, será qe ficam melhor ao falarem? ou é como aquela coisa de se falar do tempo porque não se tem mais nada para dizer!? mas o mais incrível é que todos participam, e medem as suas dores uns com os outros...é no mínimo um fenómeno curioso mas... epá..calem-se!!!????...não me chateiem com histórias para não dormir, porque noites sem dormir já tive muitas, e de nada me valeram a não ser isso: noites sem dormir...mais nada!

e numa mesa em que todos participavam num lacrimejar de palavras, alguém me disse que fazer o que não se gosta tem destas coisas..."fazer o que não se gosta??!!! o que é isso?" - perguntei...o silêncio que se sentiu na mesa foi deliciosamente constrangedor!! e eu ria por dentro, gargalhadas sussurradas pelo que já não tenho em mim, porque o aceitei, assim como aceitei tudo o que tiver que fazer...e se não gosto aprendo a gostar...nada mais.

foi então que todas as Martas deram as mãos e sairam a voar pela janela. e cantaram. cantavam num grito tão mudo que toda aquela gente à volta da mesa se silênciou...por fim

sábado, 19 de março de 2011

até amanhã




Desde que acordei que sinto vontade de pintar. mas como não consegui fui pintando de cabeça. Estou com as pessoas, mas não me dou completa, porque na minha cabeça viajam cores formas texturas e brilhos. é um ruído agradável, assim não desejo o silêncio porque este é um ruído de vida.


Olhava aquela boa gente, tentava comunicar, como me era possível, dei-me o máximo que pude, e via-os nos meus contos de cabeça, contava histórias em silêncio com cada um deles, e as crianças eram felizes em cima de póneis roxos de crinas laranjas, e riam riam riam!


Estivemos numa casa grande com paredes, demasiadas paredes. e apetecia-me Sol, aquele Sol que me chamava da janela. continuei naquela casa e depois apetecia-me lua, aquela lua assumida, tao cheia que transbordava. e sentia-me como ela, a transbordar. estou tão cheia de tudo de tanto, como não me lembro de ter estado nunca.


Apeteceu-me tanto aquele Sol e aquela Lua, e estar com todos os meus eus a pintar. mas...ali fiquei. ainda me é dificil agir com me dá na real gana. várias vezes pensei fazê-lo, mas ali fiquei, porque me parecia o mais correcto...bhaaaaa...o mais correcto!!!??? o mais correcto era sair dali a gritar a vida, e correr para abraçar o Sol no fim do mundo, procurar o arco-iris, e ali ficar à espera da srª Lua, sentar-me numa pedra quente e meter as mãos na terra, cheirar flores, cantar com os pássaros e ouvir as histórias que têm para me contar, falar de mim. tenho saudades de falar comigo assim. o mais correcto será sempre sonhar em todos os momentos e nos momentos seguintes, o mais correcto é gritar baixinho que estou apaixonada e nem sei pelo quê, o mais correcto é sentir, sentir-me, só.


mas ali fiquei, a contar histórias de cabeça e pintar sem tintas. e aquelas paredes,tão...paredes.


quando o amanhã de amanhã for um agora, vou fazer o mais correcto, e sonhar, sonhar muito, pegar nas telas e falar-lhes da minha paixão, gritar a vida, abraçar o Sol e esperar a Lua.


até amanhã

sexta-feira, 11 de março de 2011

no outro lado do mundo


hoje houve um tsunami no Japão. Enquanto do outro lado deste mundo milhares de seres perdiam as suas vidas, lembrei-me das palavras de um amigo 'cada dia que vives é um bónus'. E é.

Tenho vontade de arriscar. estou cansada do branco e preto, do é assim porque tem que ser, do fazer racionalizado, do conforto do que se tem e do desconforto do que não se tem e se quer ter.

hoje ía para uma ilha desconhecida sem pestanejar, arrancaria do meu coração tanta razão e arriscaria tudo por um encontro verdadeiro comigo. olhar-me na cara e apresentar-me a mim. Ver-me em todos os lados, reflectida em tudo, marta em todas as partes. dar-me um abraço a sorrir. pegava em mim e íamos de mão dadas num navio rumo ao que fosse que lá estivesse para nós.

chegaríamos a um sitio bonito, porque nós assim o queríamos. as pessoas de lá não falavam a nossa lingua, nem nós a delas. só se podia comunicar com o coração, só o que se sentisse era perceptivel. abandonávamos as palavras e falávamos em silêncio uns com os outros. estaríamos felizes, porque nós assim o queriamos. é assim que acontece quando se comunica com o coração e com o toque.

nesse sitio cheira a fruta e a terra molhada. o céu é violeta e o mar é cor-de-rosa. não há animais abandonados, porque não pertencem a niguém e pertecem a todos. as árvores falam conosco e o vento dá-nos abraços. não se sente frio nem calor. as lágrimas sabem a açucar porque se aceita a dor e toda a gente se olha nos olhos porque não há vergonha nem culpa. fala-se então com o coração.

hoje embarcava comigo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

contacto comigo

nem sempre consigo esta proeza mas hoje entrei em contacto comigo. e gostei.
passo tantos dias em que nem dou por mim, ou não quero esse encontro de maneira nenhuma, mas há dias como o de hoje em que me vejo em tudo o que me é exterior e tudo o que me é interior. por vezes custa, mas a verdade é que é bom, porque mesmo o que não se gosta em nós, completa-nos e faz-nos ser mais humanos, sempre e quando se tome consciência do EU.

domingo, 6 de março de 2011

a calma do caos





chamei-lhe 'a calma do Caos'. Está já muito distante o dia em que a senti terminada. Marca uma transição. Passámos tantas horas juntas, mais de um ano parece-me. Tem tanto de mim. Nunca a tinha engradado até ontem. Decidi mostrá-la. Montei as madeiras, num ritual que adoro e me completa. molhei-a com água para amolecer, e levantei-a à sua dignidade. tratei-a bem, com mimos de cola e pintinhas de verniz delicadamente colocadas, retoquei-a, restaurei-a, cobicei-a, abracei-a e amo-a.
Esta pintura sou eu. é Marta ao infinito.
Vai sair à rua. E tenho medo, não da opinião dos outros, isso em nada me aflige. Tenho medo de mim, da saudade que sinto quando olho para ela, do sofrimento e da dor que teimava em tapar em goles largos e amargos. da saudade de estar assim. medo profundo de acreditar que preciso desse sofrimento sem nexo para que de dentro de mim surjam tais imagens. porque quando a vejo acredito que há beleza no sofrimento. uma beleza sinistra que me atrai.
é tão estranho, porque o certo é que nunca senti tanto o sofrimento como agora, aliás nunca senti nada como o tamanho dos agoras. nunca...nada... mas não vejo sentido neste sofrimento, sofro porque sim, dói-me porque sim. e as imagens não são as mesmas, não as vejo tão belas. e isso assusta-me. o mais genuíno que consigo identificar, é esta saudade do que conheço de mim, e que luto em todos os momentos por não concretizar. e ... estou cansada. isto não devia ser uma luta. essa 'calma do Caos' não a quero mais, não posso querer, mas há momentos Deus meu, que desejo tanto voltar a ela e esquecer-me de mim...sair de mim, pedir-lhe que me tire de mim, embebedar-me de tintas, panos e dor. este desejo é o único que verdadeiramente me assusta, porque sei-o eu. O que de mim não sei é...tudo. e estou cansada.
Custa tanto ver-me com estes olhos tão sóbrios, é demasiada consciência de mim. por vezes não gosto do que vejo, e queria não ver, não sentir, não estar, não ser.
Mas quando olho para essa pintura vejo também vitória, vejo um passado, uma vida onde me vejo possuída por uma sombra do que sei que posso ser. uma sombra afinal era o que eu era.
vi-me hoje como um cacto: um dia fui a Malta, e apanhei na rua um pedaço de um cacto que achei lindo. Esteve num saco de plástico uns meses e um dia meti-o, já meio seco, no canteiro abandonado do meu quarto de criança. os anos passaram, e não é que o raio do pedaço de cacto pegou naquela terra morta??!!! é impressionante! hoje estou aqui nesse quarto, onde volto sem saber o que sinto, nem porque o sinto, abri a janela e lá estava ele. Está enorme, lindo e cheio de vida... como é possível?? esse cacto teve que morrer para voltar a nascer. adoro-o...é um sobrevivente, e merece todo o meu respeito e admiração.
hoje vi-me num cacto. vi que aquela 'calma do Caos' me fez morrer para renascer. e vi que a dor que sinto agora é uma dor de vida. doi porque sim! porque estou cá e sinto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Estava então a falar com o rio. Perguntei-lhe: 'Tejo, como consegues estar sempre a correr?' e ele respondeu-me: 'é neste movimento que consiste a minha vida...o Sol só nasce porque a Terra gira'

e é mesmo só isto

terça-feira, 1 de março de 2011

era uma vez

No meu universo interior vivem vários mundos, tantas realidades, prazer e tormentas que não entendo. conflitos e caos. doi-me cá dentro. hoje até na barriga sinto esta vazio que não se enche nunca. espero...espero... e doi. só o sonho vale e é verdade.
No meu mundo interior vivem imagens, tantas e tão bonitas. são rios, pássaros de mil cores, amantes, sangue, flores, planetas, terra e cal, gatos que miam muito, há mar, tartarugas centenárias, e elefantes gigantes, há sempre música e ar.
Parece que quem sonha é mais rico, vive melhor, é mais bonito. eu sonho muito, mas sou uma rica rota. pobre. minúscula. mas sonho muito.
Gosto mais de viajar no meu universo interior que na realidade concreta, seja lá o que isso for! parece-me feia quando olho as pessoas na cara e vejo por detrás das palavras politicamente correctas, dos sorrisos compostos, das ideias mais ou menos, do morno das suas almas, da racionalização dos gestos, do desviar do olhar, do opaco dos olhos, da vulneberabilidade escondida, da frieza dos sentires, e do comodismo dos estares, da entrega por compaixão, do dar de mãos conveniente, das rezas repetidas.
Fico desassossegada quando estou com muita gente à volta, muitas cabeças, pouco pensar, demasiadas palavras. as pessoas falam muito, falam demais. porque se fala tanto? nunca entendi...é afinal no que não se diz que está a essencia, é no que se adivinha que vive o interesse, no que fica por dizer, no que fica por viver, no que fica por sentir. o que já se sentiu está morto. o que já se disse, morreu. palavras ditas estão enterradas. calem-se por favor!
Gosto tanto do silêncio. Adoro o meu silêncio quando estou a cantar. estou sempre a cantar, descobri à pouco tempo. foi surpresa. Canto em silêncio, mas ouve-se bem cá dentro. sou afinadinha a cantar. gosto das notas das letras do som e da imagem das minhas músicas. Só as ouve que me entende e me sente. só se ouvem a sentir, não é preciso os ouvidos.
Por vezes tento passar sentires do meu universo interior para o realidade em formas desenhadas, na tentaiva de trazer algo novo ao mundo em que vivo. é só assim que existo. só assim me deixo ver. nessas representações não há máscaras porque não sou eu que mando nos pincéis. eles vivem por si e não sabem o que é o teatro. Ali sou só uma mão, pequenina de criança. Não há palco nem plateias.
Sei que posso pintar tudo, mas não tenho conseguido, e não pinto nada. está tudo cá dentro reprimido, retraído. deve ser por isso que me doi as entranhas. penso que é do vazio, mas deve ser do exesso de imagens que precisam de sair. pedem-me e eu não permitido. não me tenho permitido libertar-me. é neste processo que fujo da dor, é quando trago algo novo à realidade que se me enche um pouco o vazio ... esse. é quando consigo transportar do meu mundo interior as minhas canções que me surgem as respostas.

'era uma vez', gritam cá dentro as imagens e os sonetos, mas hoje a tela é só branca. espera-me. e eu...a que espero?
já sabia que isto ía doer. é sempre assim. e nem as tuas palavras rodeadas de minha surpresa e admiração me tiraram estas borboletas do estomago. nem te consegui olhar nos olhos pois sinto-me suja e indigna. culpada. és o meu conselheiro, que me aconselhas?

não tenho energias para pintar a vida. copiei cerca de 150 paginas dos teus textos, e vou deitar-me e ler-te, a ti minha amiga. é a única coisa que me acalma quando estou assim. que bom ter-te na minha vida, mesmo que seja em forma de texto.
ardem-me os olhinhos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

tira-me de mim





ouvia isto no regresso como que para lembrar-me do inicio da minha primeira decada de vida, das piscinas no alentejo, unico refugio para fugir do calor, e das minhas romantizações de miúda. e é assim que me sinto. foi assim que me senti quando vinha por aquela estrada repetida ao quadrado, de noite. chorei. porque tenho medo do que aconteceu porque eu quis. calor falso que me atrai. rumos conhecidos pela sensação de querer sempre mais. de não conseguir parar nem dizer não. de não conseguir resistir. negar. tenho medo. conheço-me assim. mas a situação é tão nova. e tão feia. podia ser tão bela, pela pureza com que me entrego. mas vou querer sempre mais. e não vou conseguir parar sempre e quando me busques com o olhar. basta isso, um olhar. migalhinhas de carinho emprestado, conveniente, que eu aceito. é nada o que me dás. e eu aceito. é falso e aceito. sinto-me meia torta emocionalmente com tudo isto. louca. num limite que me é familiar. tanta dor por momentos de prazer. emprestado, falso, corrompido.


Já te fechei a porta tantas vezes, entras pela janela outras tantas, e eu fecho também. vejo-te de costas uma e outra vez. e doi. e depois regressas e eu abro a porta as janelas e dou tudo. desvio-me do caminho por instantes. desejo o fugás e o intenso, porque nesses momentos não sinto nada, saio de mim, deixo de existir para o mundo ou para outra coisa qualquer. Vendo-me por tão pouco Deus meu! não gosto de mim assim. mas nesse instante não importa porque não sinto, não estou, não vejo, não sou. é depois que vem tudo de enchorrada. como sempre foi tudo na minha vida. sou assim desviada. só.


estava tudo tão calmo naquela casa, naquele mar. ouve momentos em que te senti outro, um outro familiar, tão meu como só ele. aprtei a tua mão, estava quente mas era mais pequena, não era a dele afinal. Alimento assim essa saudade do genuino que tive e não consegui manter. perdi. e doi muito. ainda sinto tanta culpa, tanda dor de perca. parece-me um luto interminável. AAAahhh como eu gostava de ser já muito velhinha e olhar a humanidade com os olhos calmos da rendição. olhar para trás e rir disto tudo. porque afinal sou só humana, só uma mulher, miúda, menina, gaiata. como quando estava nas piscinas a lutar contra o meu medo de megulhar lá do alto, do mais alto de todos e de tudo. mas acabava sempre por mergulhar. sempre arrisquei, ainda que pelo que sei falso, arrisco. o que está lá para trás não quero. já tive, já não me engana, não é mais opção. mas isto é novo e arrisco. no meu intimo sei contudo que é um calor falso, cheira até.


espero ,sonho, vou cansar-me e vai doer. mas sonharei sempre sempre. é o mehor que tenho. é o sonho de que sou feita

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ler-te

falo contigo. imagino que estás aqui, mas mesmo não estando falo...falo...falo...e respondo por ti também.
é nos olhos dos que me sentem como tu que me vejo e existo. por isso, mesmo não estando presente vejo-te, olho-te e lembro o teu sorrir.
é estranho...és uma presença tão forte. a vida tem destas coisas. há pessoas assim.
não me é permitido esquecer-te, porque não mando no que sinto, e nem o tempo nem a distancia te apagam. sei que nunca te irão apagar.
pois é...e 'nunca' é uma palavra que não costumo usar.
por vezes deixo-me ir, embalada pelo que não sei de mim. e tenho medo.
tenho tantos medos. ainda não me perdoei. há tanta ferida por lamber.
queria ver-me. e é tudo tão confuso. como gostaría de ser uma pessoa simples. só isso simples: ficar feliz porque o mar não tem fim, ficar contente com um sorriso de uma criança, chorar pelas lágrimas dos outros. ser simples...só.
aceitar. tenho que me aceitar. gostar do que sei de mim e do que não sei. mas primeiro tenho que saber quem sou...ou quem não sou...
só queria ser simples.
hoje é dificil.
durmo mais que estou desperta. e mesmo acordada, durmo. agora sem sono, vou deitar-me e ler-te.
adoro ler-te. tu escreves como eu pinto. escreves sempre para mim. sempre que te leio, escreves para mim.
é isso. vou deitar-me, ler-te e sonhar.
hei-de sonhar sempre, sempre , sempre.
boa noite Milhita

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sentirei como todos. julgo
penserei como todos. digo
não me entendo
só quero paz
já nem quero entender
nem pensar
e hoje...nem sentir

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Do que eu gosto mesmo é do que fica por dizer
e do que não aconteceu, do que não se leu nem se pintou,
do que ainda não se amou, do que há para viver e aprender,
daquilo que há para cheirar e provar,
daquilo que falta por falar,
...da vida que ainda não se viveu,
dos silêncios que virão...
é disto que eu gosto mesmo!

domingo, 16 de janeiro de 2011